Acordo Ortográfico: “Correcto” ou “correto”?
O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa pode entrar em vigor em 2014. O documento que propõe a uniformização gráfica do português foi aprovado pelo Governo e espera apenas ratificação parlamentar e presidencial. Nesta reportagem, a JPR dá a conhecer as principais alterações a implementar pela reforma ortográfica e os argumentos contra e a favor de professores de linguística dos dois lados do Atlântico.


Carolina Lins
Não concordo que as modificações serão apenas ortográficas, sem influência sobre a pronúncia. A longo prazo, modificações na escrita tais como a eliminação do trema no Brasil e do acento agudo em palavras como idéia, européia, etc., se farão sentir na forma como as pessoas pronunciam essas palavras. Como brasileira, causou-me estranheza ouvir palavras como seqüestro pronunciadas em Portugal como 'sekestro' e penso que pode acontecer que, pessoas que se depararem com uma palavra escrita que não conheciam antes, as pronunciem da forma mais intuitiva e assim eqüino [kw] seria pronunciada equino [k]. A palavra ateu é fechada e a palavra teia também, assim que sentido faria manter a pronúncia aberta em atéia? Acho uma coisa desnecessária essas intervenções arbitrárias dos estados em assuntos que não lhes dizem respeito como a evolução da língua e para mim as diferenças ortográficas entre brasileiros e portugueses nunca representaram dificuldade nenhuma. Acho até bizarra o argumento de que a uniformização da língua facilitaria a redação de documentos em português em organismos internacionais, como se nós devessemos pagar um preço tão alto para facilitar a vida dos burocratas e tradutores que fazem esse serviço.